O CUIDADO AO FALAR E A RELIGIÃO PURA

                                                Texto: Tg. 1.19-27

•INTRODUÇÃO
O ser humano não é apenas homo sapiens, é também homo religiosus, além de ser capaz de conhecer, tem a necessidade de transcender. Existem muitas discussões a respeito do papel da religiosidade para a humanidade. No estudo desta semana, a partir do livro de Tiago, veremos que a religião verdadeira diz respeito à prática do cotidiano, que se materializa de várias formas, especialmente no cuidado ao falar. Para tanto, faz-se necessário que consideremos a Palavra de Deus, não apenas como ouvintes, mas também como praticantes.

•1. A VERDADEIRA RELIGIOSIDADE
Há um provérbio antigo a partir do qual se argumenta que “todos os caminhos levam a Roma”, e que geralmente é usado para defender a verdade em todas as religiões. O pensamento moderno, pautado no relativismo filosófico, assume que todos os posicionamentos, em relação a Deus, são corretos. Esse ponto de vista tende a agradar as pessoas, principalmente os intelectuais, que se negam a aceitar a exclusividade da fé cristã. Ainda que o caminho de Cristo seja considerado “politicamente incorreto”, não podemos deixar de defendê-lo, isso porque Ele é o único acesso ao Pai (Jo. 14.6). Ao contrário do que se costuma defender, esse caminho não é exclusivista, mas inclusivista, na medida em que todo aquele que nEle crê tem a vida eterna (Jo. 3.16). O fundamento dessa verdade se encontra na condição de perdição da humanidade, por causa do seu pecado, comumente denominada de Queda pelos teólogos (Rm. 3.23). A saída de Deus para tal condição se encontra em Cristo, o dom gratuito de Deus (Rm. 6.23), não na religião humana, que não passa de torre de Babel (Gn. 11). Jesus é o sim de Deus, por causa da revelação em Cristo a religião perde sua razão de ser para a salvação (II Co. 1.19-21). Por esse motivo, diante da multidão em Jerusalém, Pedro defendeu que há apenas um nome pelo qual importa que as pessoas sejam salvas,  e este é Jesus Cristo (At. 4.12). Paulo, ao escrever para Timóteo, reafirma essa doutrina, ao defender que há apenas um Mediador entre Deus e os homens (I Tm. 2.5). Essa é a confissão de fé do cristianismo bíblico, não podemos fazer concessões em relação ao evangelho de Cristo (Mt. 16.16). Mas o evangelho não é apenas isso, envolve uma atuação prática diante da vida. Tiago confirma essa premissa ao argumentar que mesmo entre aqueles que se dizem cristão há uma religiosidade falsa. Existem inclusive pessoas que pensam que estão salvas, mas que na realidade estão distantes de Deus (Mt. 7.22,23). Outras imaginam que são espirituais apenas por seguirem os procedimentos de uma igreja, mas isso não se sustenta à luz da Palavra de Deus (Ap. 3.17).

•2. A RELIGIÃO PURA ALICERÇADA NA PALAVRA
A verdadeira religião não está fundamentada na mera subjetividade, não se trata de um mero “se sentir bem”. É chegada a hora de lembrar, no contexto evangélico, que enganoso é o coração do homem (Jr. 17.9). Existe uma ala nesse meio que condena o liberalismo teológico alicerçado no racionalismo. Tal crítica tem fundamento, pois não podemos deixar de acreditar no sobrenatural, conforme exposto nas Sagradas Escrituras. Mas precisamos atentar para outro tipo de liberalismo, fundamentado nas emoções. Os seres humanos foram criados por Deus tanto com capacidade de raciocínio quanto de sentir. Não podemos desconsiderar essa dádiva, devemos colocar nossos pensamentos e sentimentos diante de Deus. O movimento pentecostal clássico em seus primórdios estava fundamentado tanto no poder de Deus quanto na Palavra. Nesses últimos anos temos testemunhada uma derrocada nesse sentido, na medida em que os sentimentos, que podem resultar em subjetividade, são assumidos como determinantes na revelação de Deus. A religião cristã pura e verdadeira nasce na Palavra de Deus (Tg. 1.18), não apenas através do ouvir, mas de uma prática condizente com a mensagem revelada. A palavra de Deus deve ser recebida pelo cristão (Tg. 1.21), sendo comparada a uma semente colocada no solo (Mt. 13.1-23). Uma característica destacada por Tiago é a mansidão (Tg. 1.19), sem essa o terreno do coração não pode acolher a Palavra de Deus. Há muitos que não se dobram diante da mensagem, parecem ter comichão nos ouvidos, buscam mestres para si, a fim de satisfazerem seus pecados (II Tm. 4.1-3). Os movimentos dentro das igrejas cristã brasileiro se transformou em um restaurante self-service. As pessoas não querem ter compromisso com a Palavra, ao invés disso escolhem apenas o que lhes agradam. A religião de Jesus Cristo desagrada ao ser humano porque o confronta diante dos seus interesses. Sinceramente existem coisas que gostaríamos que Cristo não tivesse dito (Jo. 6.68). Mas não somos donos do evangelho, pois este é o poder de Deus para todo o que crer (Rm. 1.6), não temos motivos para nos envergonhar dele, mesmo que seja “politicamente incorreto”. Para agradar o pensamento moderno não podemos fazer concessões quanto ao teor do evangelho, sob pena de transformá-lo em outro evangelho, diferente daquele pregado por Cristo e Paulo (Gl. 1.9). A fé genuinamente cristã impele à prática de vida obediente (Tg. 1.22-25), mais do que ler a Bíblia é preciso permitir que essa transforme as nossas vidas (Tg. 1.23,24), que nossos pecados sejam identificados por ela, e sejamos conduzidos ao arrependimento pelo Espírito Santo (Hb. 4.12). A sociedade não é o nosso espelho, por isso devemos nos pautar pela Palavra de Deus, é por meio dela que sabemos se estamos em conformidade com a vontade de Deus (Rm. 12.1,2).

•3. A RELIGIÃO PURA E O CUIDADO AO FALAR.
A religião pura, no dizer de Tiago, é uma decisão de obedecer (Tg. 1.15), em consonância com a palavra de Cristo, que nos interpela à permanência na Palavra (Jo. 8.34). A ausência de sujeição tem causado transtornos à fé cristã. O Senhor nos insta ao cuidado com a língua, há cristão que falam demais, além do necessário. Fazendo eco às palavras do autor dos Provérbios, devemos lembrar que a morte e a vida estão no poder da língua (Pv. 18.21). O salmista também sabia desse risco, por isso orava para que o Senhor pusesse uma guarda nos seus lábios (Sl. 141.3). Há pessoas que se apressam a falar, e isso geralmente traz danos à sua existência, sobretudo à vida espiritual. Quantos problemas poderiam ter sido evitados se não nos adiantássemos no falar? O livro de Provérbios traz lições preciosas a esse respeito, para isso devemos nos distanciar da perversidade dos lábios (Pv. 4.24), e demonstrar prudência, calando-nos quando necessário (Pv. 11.12). Quanto mais se semeia a contenda, mais a situação se complica, por isso devemos ouvir mais e falar menos (Pv.12.,18,25). Nunca é demais lembrar que Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca. Muitas pessoas estão arruinadas porque falaram demais, quando deveriam ter calado (Pv. 13.2,3). Aprendamos, pois, a mansidão, tenhamos cuidado para não nos exceder, até mesmo quando provocados (Pv. 15.1-4). Ao invés de semear a contenda na igreja, devemos ser brandos e falar apenas o que resulta em edificação (Pv. 15.26,28; 16.21,24; 18.6,7). A moderação cristã é caracterizada pelo controle, o domínio próprio, que é um aspecto do fruto do espírito (Gl. 5.22), precisa ser cultivada (Pv. 16.32). Jesus advertiu que seremos julgados pelas palavras que pronunciamos, portanto tenhamos cuidado (Mt. 12.36,37), fujamos da maledicência (Pv. 6.19).

•CONCLUSÃO
As pessoas falam demais e por não calcularem as consequências do que dizem estão sendo destruídas. Tiago nos adverte quanto ao perigo de uma falsa religiosidade, desvinculada de uma prática cristã revelada na Palavra. A religião pura e verdadeira é demonstrada através do controle da língua, mas não somente isso, também pelo interesse comunitário. A fé cristã é vã se não nos envolvermos em atitudes que diminuam o sofrimento daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade (Tg. 1.27). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

PALAVRA DA VERDADE

Textos: Tg. 1.9-18


•INTRODUÇÃO
A Teologia da Prosperidade, que prefiro denominar de Teologia da Ganância e Cafetões da Prosperidade, faz opção pelos ricos, assumindo que os que não têm riquezas são amaldiçoados. A Teologia da Libertação, em outro extremo, defende que Deus fez opção pelos pobres, em detrimento dos ricos. No estudo desta semana veremos a respeito desse complexo assunto, e pouco compreendido no contexto cristão. Mostraremos, inicialmente, a importância de ser gerado pela Palavra da verdade, para se posicionar a respeito do assunto, em seguida, mostraremos o que a Bíblia revela a respeito de ricos e pobres, ressaltando os ensinamentos de Tiago.

1. POBRES E RICOS NA PALAVRA DA VERDADE
Não podemos desconsiderar que a Bíblia diz muito sobre ricos e pobres. As palavras de Jesus, ao longo dos Evangelhos, ressalta a importância de considerar os necessitados (Mt. 25.40). Mas nem sempre as igrejas que se dizem cristã atentam para essa relevante verdade, argumentando que nem só de pão vive o homem (Mt. 4.4). Essa também é uma verdade, mas isso não deve servir de justificativa para o descaso quanto aos que carecem de auxílio na igreja. Desde o Antigo Pacto Deus demonstrou interesse por aqueles que passavam fome (Lv. 19.9,10). A cultura do desperdício, incentivada pelo mercado, foi condenada por Jesus, que se preocupou em alimentar uma multidão faminta (M6t. 6.34-44). Existem pessoas que passam fome, e se encontram em condição de pobreza extrema, por causa da inveja e partidarismos, não porque não queiram trabalhar (I Co. 12.19-26). É importante fazer esse destaque porque há cristão que para não se envolverem com os pobres preferem culpá-los pela situação na qual se encontram. As generalizações precisam ser avaliadas, principalmente quando se trata daqueles que se encontram em condição de vulnerabilidade. Não podemos deixar de considerar que vivemos em uma sociedade desigual, que predomina a corrupção e que impera os interesses econômicos. O autor de Provérbios já antecipava as implicações de uma nação que não vive a partir de uma ética cristã (Pv. 17.23-26). Evidentemente a pobreza pode ser resultado de uma vida desregrada, controlada pelos vícios, como também mostra o escritor de Provérbios (Pv. 23.29-35). Mas nem sempre, pois o pagamento injusto dos salários pode ser uma das causas da pobreza, em virtude da ganância que se propaga na sociedade, percebemos que as pessoas trabalham cada vez mais, para ganharem cada vez menos (Lv. 19.13). O dinheiro se tornou um deus para o homem do presente século, verdade já revelada por Jesus ao relacioná-lo a Mamom (Mt. 6.24). Ao invés de entesourarem no céu, o ser humano moderno quer cada vez mais, sem se preocupar com aqueles que nada têm (Mt. 6.19-21). A política dos homens é estruturada para retirar os benefícios dos mais pobres, causando dependência e humilhação. Somente quando a cidade celestial vier, teremos um governo no qual o direito dos mais pobres será respeitado (Ap. 21.3-7). Aqueles que se aproveitam dos necessitados serão julgados pelo Senhor, principalmente os que controlam as leis injustamente para tirar vantagens pessoais (Is. 10.1,2).

•2. POBRES E RICOS NA EPÍSTOLA DE TIAGO
A Epístola de Tiago, em consonância com a revelação geral das Escrituras, denuncia veementemente aqueles que enriquecem, aproveitando-se da situação de extrema pobreza. A pobreza, de acordo com esse apóstolo, acontece: 
1) por causa de mecanismos legais, que suprime o direito daqueles que se endividaram (Tg. 2.1-12); 
2) a cultura da ganância, que prima pela ostentação (Tg. 4.-13-17); 
3) mecanismos de opressão, através da retenção dos salários dos mais pobres (Tg. 5.4). 
Tiago reconhece que vivemos em um mundo caído, que faz com que as pessoas queiram oprimir umas as outras (Tg. 1.18,21; 4.6; 5.19,20). É um problema, como admoesta Paulo, colocar a confiança nas riquezas, principalmente porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tm. 6.10). A Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, não censura a riqueza, contanto que essa seja adquirida honestamente (Sl. 112; Pv. 10.4). Mas Tiago admoesta quanto ao ajuntamento de riqueza ilícita, que acarretará em juízo de Deus, além disso a ostentação trará ruína (Tg. 5.1). Isso acontece porque existem ricos que se entregam ao luxo retendo o salário dos trabalhadores, de forma corrupta e fraudulenta (Tg. 5.4). O autor dos Provérbios adverte àqueles que enriquecem roubando os pobres (Pv. 22.16,22), contrariando a ordenança de Deus dada através de Moisés  (Lv. 19.13; Dt. 24.14,15). O estilo de vida regalado dos ricos, bastante comum na sociedade contemporânea, incentivado pelo consumismo desenfreado, corrompe até mesmo as autoridades constituídas (Tg. 5.6). A política no Brasil reflete essa realidade, os eleitores escolhem seus candidatos, mas esses, ao se elegerem, governam para os ricos, sacrificando os pobres. No Antigo Pacto Amós denunciava aqueles que compravam as sentenças contra os pobres por dinheiro, condenando e matando os justos (Am. 2.6; 5.12,13). Deus advertiu aos juízes para não serem gananciosos (Ex. 18.21), nem parciais (Lv. 19.15), nem tolerarem o perjúrio (Dt. 19.16-19). A prática do suborno, às vezes normatizada pelo costume, foi condenada pelo Senhor (Is. 33.15; Mq. 3.11; 7.3). Existem pessoas que morrem nos hospitais por falta de assistência básica, enquanto isso o dinheiro que deveria ser aplicado na saúde escoa para os cofres dos ricos, para satisfazerem sua luxúria (Tg. 5.5).

•3. POBRES E RICOS GERADOS PELA PALAVRA
Não é pecado em si ser rico, Paulo reconhece que esses podem ser cristão, mas que não podem ser altivos, nem devem por sua esperança nas riquezas, antes em Deus, que nos concede abundantemente (I Tm. 6.17). Os ricos que são gerados pela palavra de Deus, não colocam o coração nas propriedades terrenas, sabem que nada trouxeram para este mundo, e que nada também levarão (I Tm. 6.7). Eles não fazem como o rico insensato da parábola contada por Jesus, que se ufanou de tudo o que havia adquirido na terra, sem atentar para seu fim iminente (Lc. 12.20). O salmista advertiu os ricos da sua época para que se suas riquezas aumentassem, não colocassem nelas o coração (Sl. 62.10). O maior capital de um cristão, independentemente da sua posição socioeconômica, é a piedade com contentamento, essa é grande fonte de lucro (I Tm. 6.6). Fazendo assim, o cristão cresce na Palavra de Deus, mais que isso, é gerado por ela (Tg. 1.18). O secularismo está solapando muitos cristãos, isso porque eles são incapazes de fazerem a distinção entre o certo e o errado (Is. 5.20). Deus está advertindo esta geração para que se volte para Sua palavra (Tg. 1.21). Precisamos de uma igreja saudável, fundamentada na Palavra, para evitar o superficialismo. Há igrejas que não têm mais tempo para a exposição do texto bíblico. Os cultos e/ou reunião estão sendo transformados em “programas de auditório”, isso porque os “líderes” não querem perder os seus “fiéis”. É preciso também que os ouvintes sejam praticantes da Palavra (Tg. 1.22-25). A falta de compromisso de alguns cristãos é preocupante, não são poucos os que frequentam a igreja, mas não vivem o que propõe o evangelho. Esses não se espelham na Palavra de Deus, ou seja, não fazem autoexame, findarão condenados com o mundo (I Co. 11.31,32). Bem-aventurados são aqueles que ouvem e praticam a Palavra de Deus, esses serão bem sucedidos em tudo que fizerem (Js. 1.6-8).

•CONCLUSÃO
Careceremos de uma geração de cristãos que se fundamentem na Palavra de Deus. Esses não se deixarão conduzir pelos ditames deste mundo relativista, que transforma o errado em certo, o amargo em doce. Os valores desta sociedade estão deturpados, por isso a igreja precisa adotar um posicionamento profético, para denunciar o pecado, não apenas os morais, também os sociais. Não podemos fechar os olhos em relação à corrupção que resulta em pobreza extrema. Devemos ensinar que aqueles que roubam, inclusive os cofres públicos, devem abandonar essa prática, e trabalhar justamente, exercitando a generosidade (Ef. 4.28). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA HUMILDE

Texto:  Tg. 1.5; 3.13-18


•INTRODUÇÃO
Os cristãos do primeiro século enfrentaram perseguições, por causa disso alguns deles abandonaram a fé, e retornaram às práticas judaicas. Tiago, em consonância com o autor da Epístola aos Hebreus, conclama seus leitores a permanecerem firmes. O primeiro apela à sabedoria do alto, que se materializa na disposição para enfrentar a provação, sem negar a fé. No estudo desta semana veremos a respeito dessa sabedoria, que deve ser demonstrada, sobretudo, em humildade, na confiança em Deus, que é o provedor dessa sabedoria, diferente da humana ou diabólica.

•1. SABEDORIA DO ALTO NA PROVAÇÃO
A falta de maturidade é uma demonstração de ausência de sabedoria, aqueles que não sabem lidar com as adversidades revelam infantilidade. Jó é um exemplo bíblico de sabedoria na provação, ao invés de blasfemar contra Deus, prostrou-se em terra em adoração, e disse: “nu sai do ventre da minha mãe, e nu partirei, o Senhor o deu, o Senhor o levou, louvado seja o nome do Senhor” (Jó. 1.20). Esse tipo de cristão está em extinção nos dias atuais, isso porque a ênfase no hedonismo está favorecendo um tipo de fé superficial, que beira à mediocridade, que não admite passar por situações adversas. Para Tiago a verdadeira sabedoria, tal como aquela expressa nos Provérbios, é prática e tem a ver com a convicção de fé, mesmo quando as coisas não acontecem do jeito que desejamos. O insensato, em Provérbios, é aquele que deixa de reconhecer suas limitações, que se fundamenta na autos suficiência, que acha que pode descartar Deus (Pv. 26.12). Existem esses até mesmo entre os que se dizem cristão, tais precisam pedir sabedoria para enfrentar os momentos difíceis, ao invés de negá-los. A palavra pistis em grego, geralmente traduzida por fé, traz nessa Epístola, a conotação de fidelidade. Para Tiago ter fé é mais do que acreditar, trata-se de uma disposição para enfrentar a provação. A demonstração da fidelidade resulta em obediência (Tg. 2.14), que não se deixa mover pelas circunstâncias (Tg. 1.6). Como fez Salomão, devemos pedir a Deus a sabedoria necessária para fazer a diferença entre a verdade e o engano (II Rs. 3.7-9). A sabedoria que o monarca recebeu era de Deus, não dos homens.  De vez em quando os cristãos são rotulados de ignorantes, e isso tem um fundo de verdade. Deus destrói a sabedoria dos sábios segundo o mundo, que fundamentam seus argumentos em axiomas. Por isso, para aqueles que não confiam nas promessas de Deus, a mensagem da cruz é totalmente absurda (I Co. 1.24-26). A loucura da pregação nos convida a confiar no Senhor, de todo coração e a não nos apoiar em nosso próprio entendimento (Pv. 3.5,6).

•2. O VALOR DA SABEDORIA DO ALTO
A importância da sabedoria para o cristão é o próprio Jesus Cristo, nEle estão escondidos todos os tesouros da sabedoria (Cl. 2.3; I Co. 1.24).  O autor de Provérbios encerra em poucas palavras seu valor: “Como é feliz o homem que acha a sabedoria, o homem que obtém entendimento, pois a sabedoria é mais proveitosa do que a prata e rende mais do que o ouro [...] a sabedoria é árvore que dá vida a quem a abraça; quem a ela se apega será abençoado (Pv. 3.13,14,18). Essa sabedoria não é terrena, ou melhor não é deste mundo (Tg. 3.15), que é pura tolice, ao ser comparada com a sabedoria de Deus. A construção da torre de Babel é um exemplo do que pode fazer a sabedoria humana (Gn. 11.9). O projetos humanos tem causado muita desilusão, principalmente quando destituídos da orientação divina. A ciência tem trazido muitas contribuições para a sociedade, mas infelizmente tem servido mais para o mal do que para o bem. As grandes invenções estão a serviço dos interesses da minoria, pouco investimento tem sido feito na solução dos problemas sociais. O avanço do conhecimento não é proporcional à sabedoria, somos capazes de fazer viagens espaciais, mas não sabemos como conviver com nossos vizinhos. O otimismo da ciência, influenciado pelo Positivismo de Comte, está em declínio. A pós-modernidade é justamente a desconstrução dos valores cientificizados, até mesmo a confiança na educação está abalada. A formação acadêmica não é garantia de uma ética pautada no respeito ao próximo, sobretudo do temor a Deus, que é o princípio da sabedoria (Pv. 1.7). Para Tiago a sabedoria de Deus é espiritual, não é física, do grego psykikos, ou natural. Se diferencia também por não ser demoníaca (Tg. 3.15), os conhecimentos humanos podem ser projetos para a mentira (Rm. 1.18-25), para semear o ódio e a discórdia. A verdadeira sabedoria provém do alto, ela não é resultante apenas de lógica, mas da oração, de momentos de intimidade com Deus (Tg. 1.5). A palavra de Deus é o fundamento dessa sabedoria, pois ela nos torna sábios para a salvação (II Tm. 3.15).

•3. A DEMONSTRAÇÃO DA SABEDORIA DO ALTO
A sabedoria que não provém de Deus é falsa, e se manifesta através da inveja que causa amargura (Tg. 3.14,16). A sabedoria dos homens, pautada no egoísmo, busca apenas o interesse próprio. Existem até aqueles que se ufanam da religiosidade, como faziam os fariseus dos tempos de Jesus (Mt. 6.1-18). O conhecimento bíblico acumulado não garante que o detentor é uma pessoa sábia.  Existem casos de pessoas que tem muito conhecimento, mas não são amorosos, é justamente o amor que equilibra o conhecimento, e revela sabedoria (I Co. 8.1). A ética do amor é a base da verdadeira sabedoria, os cristãos que são sábios amam, tanto a Deus quanto ao próximo (Mt. 22.37,38; I Co. 13). O sentimento faccioso é uma característica da  sabedoria meramente humana (Tg. 3.14, 26).  A palavra eritheia dá ideia de partidarismo, um dos sentimentos predominantes na igreja de Corinto (I Co. 1.10-13). Os cristãos que amadureceram na fé não vivem em disputas, não estão preocupados em conseguir espaço, não perseguem os holofotes. Essa é uma sabedoria vã, no sentido bíblico de vaidade, que passa, é efêmera, temporária (Ec. 1.1,2). É uma pena que muitas pessoas estão se digladiando dentro das igrejas por causa de espaço. As disputas políticas no contexto eclesiástico é uma demonstração de falta de sabedoria. A sabedoria do alto, que vem de Deus, nos conduz à mansidão, não se exaspera, não perde o controle (Tg. 3.13). A sabedoria do alto, que vem de Deus, nos impulsiona para a pureza. A santidade é uma marca do cristão que busca agradar o Senhor, que não se envolve com o mundanismo, que não ama as coisas do presente século (Rm. 12.1,2). A sabedoria do alto faz sossegar a nossa alma (Tg. 3.17), e nos dá a paz que o mundo desconhece (Jo. 14.27). Essa é uma paz que excede todo entendimento (Fp. 4.6,7), sendo resultante do fruto do Espírito (Gl. 5.22).

•CONCLUSÃO
Vivemos na era do conhecimento, as pessoas estão envoltas de informações, algumas deles extremamente desnecessárias. Os cristãos, em meio às adversidades da vida, devem buscar a sabedoria de Deus, que vem do alto. Essa sabedoria está fundamentada no amor, na paz de Deus que excede todo entendimento. Além disso, ela é tratável, aberta à revelação de Deus, cheia de misericórdia, se preocupa com os necessitados. Essa, portanto, é uma sabedoria prática, que produz frutos, dignos de arrependimento (Mt. 3.8), demonstrada em imparcialidade, não se deixa cooptar pelas conveniências, não é fingida. Busquemos, pois, a sabedoria de Deus, que diferentemente da sabedoria do mundo, não produz problemas e resulta em bênçãos espirituais (Tg. 3.16-18). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!