A PROVIDÊNCIA DIVINA NA FIDELIDADE HUMANA

Textos: Dn. 3.1-14


•INTRODUÇÃO
No capítulo 3 de Daniel nos voltaremos para a instituição da religião humana. Veremos que Nabucodonosor decidiu construir uma imagem e que essa deveria ser adorada. No entanto, os servos de Deus, em obediência a Sua palavra, decidiram ser fiéis ao Senhor, e não se prostraram diante dela. Além de ressaltar a fidelidade de Ananias, Mizael e Azarias, destacaremos a providência divina, quando os jovens foram lançados na fornalha de fogo, para serem mortos.

•1. A RELIGIÃO DE NABUCODONOSOR
Em Dn. 3, Nabucodonosor, em sua embriaguez pelo poder, constrói uma estátua. Ele pensava ser um deus, não se contentou em ser apenas humano. Esse é o princípio do pecado, tanto Lúcifer (Is. 14.14) quanto Adão e Eva quiseram ser iguais a Deus (Gn. 3.5).  A famigerada fome pelo poder tem levado alguns líderes a atitudes insanas. Alimentados pela bajulação, até mesmo os líderes de várias denominações tem caído nesse pecado. Ainda bem que existem aqueles que não se dobram diante desse servilismo. Os cultos(reuniões) às celebridades estão causando estragos às igrejas. Há aqueles que se negam a cultuar o ser humano, dando-lhe a glória que somente pertence a Deus. A religião de Nabucodosor se destaca pelo totalitarismo, apenas a sua palavra é final, com ninguém se aconselha. A consciência dos seus súditos é controlada a fim de manter sua opressão. Esse tipo de liderança é perigosa, porque escraviza as pessoas, e as coisifica (Dn. 3.7,8). Esse tipo de religião não vê pessoas, apenas súditos a serem usados, que podem ser descartados. Muitas pessoas estão sofrendo, algumas delas fazendo tratamento médico, por causa de feridas causadas em nome de Deus. Uma marca dessa religiosidade babilônica é a intriga, o pouco caso em relação aos outros. Existem inclusive aqueles que trabalham para denunciar aqueles que não se dobram diante do autoritarismo. A inveja é a principal moeda nessas religiões neuróticas e adoecedoras (Dn. 3.12). Os vassalos do rei denunciaram os jovens servos de Deus, a fim de tirar proveito daquela condição. A fidelidade a Deus, no entanto, deve ser  inegociável, ainda que venhamos a perder privilégios. Mais importante que está no auge é se encontrar no centro da vontade de Deus (Rm. 12.1,2). Nem sempre a maioria tem razão, a verdade está na Palavra de Deus, essa é a voz de Deus. A religião de Nabucodonosor é farisaica, e foi denunciada por Jesus, por causa do culto ao exterior, em detrimento do interior (Mt. 23).

•2. A FIDELIDADE DOS SERVOS DE DEUS
Como testemunhas de Deus, devemos nos posicionar, mesmo diante de ameaças (Dn. 3.15). Há cristão que têm medo de perseguições, por isso buscam conveniências, às vezes fazendo concessões. A igreja não deixa de crescer durante a perseguição, muito pelo contrário, temos testemunhos de fidelidade justamente em tempos adversos. Devemos orar pela paz, e buscar viver bem em sociedade, mas é preciso ter cuidado, para não transformar a comodidade em comodismo. A defesa da nossa fé não precisa ser odiosa, devemos demonstrar mansidão (I Pe. 3.15), e amor, até mesmo aos inimigos (Mt. 5.44-48). A igreja de Jesus Cristo está susceptível às perseguições (II Tm. 3.12). Ainda que no futuro leis sejam aprovadas, contrárias aos fundamentos da fé cristã, não assumiremos os valores defendidos e praticados pelo mundo (I Jo. 5.19). As consequências poderão ser desafiadoras, mas devemos permanecer firmes, como fizeram os jovens na Babilônia (Dn. 3.17,18). Os cristãos continuarão a viver a partir dos princípios divinos, independentemente das circunstâncias. A morte não deve ser motivo de temor, pior que a morte é um cristianismo medíocre, que não se compromete com a verdade divina (Mt. 10.28). Nesses dias que antecedem ao pleito eleitoral, tenhamos cuidados para não nos dobrarmos diante de ideologias humanas. Também sejamos cautelosos para não nos tornarmos meros moralistas, julgando os pecadores sem dar-lhes a oportunidade de arrependimento. Se por um lado, muitos estão se dobrando diante do deus-imoralidade, outros estão, com a maior naturalidade, se deixando conduzir pelo deus-mamom. O mesmo Deus que reprova os pecados sexuais (Mt. 5.32)  também censura os adoradores do dinheiro (Mt. 6.24; I Tm. 6.10).  Somente Deus deve ser adorado, essa é a mensagem contundente de Jesus, profética para os dias atuais (Mt. 4.10).

•3. A PROVIDÊNCIA DO SENHOR
Os jovens, fiéis servos do Senhor, foram lançados na fornalha de fogo ardente, resultante da fúria insana de Nabucodonosor (Dn. 3.15). Ele mandou aquecer a fornalha sete vezes (Dn. 3.19) e mandou amarrá-los antes de lança-las no fogo (Dn. 3.20). Nem sempre Deus livra os seus servos da fornalha, mas na fornalha (Is. 43.1-30). Os cristãos que não querem mais sofrer, e que fogem da possibilidade de perseguição, não compreenderam o preço do discipulado (Mt. 16.24). Há uma cruz a ser carregada, com C. S. Lewis, não recomendamos o cristianismo a quem quer uma religião confortável. A fé cristã nos tira do lugar comum, nos lança diante da adversidade, também da incompreensão. Por causa da nossa fé, podemos ser tratados como a escória do mundo, não poucas vezes assumidos como loucos (I Co. 1.17-23). Mesmo diante das perseguições, podemos confiar em Deus, Jesus prometeu estar conosco (Mt. 28.20). Justamente nas horas mais adversas, quando somos perseguidos por causa do amor a Cristo, sentimos mais de perto a Sua presença. Aqueles que são perseguidos na defesa do evangelho são bem-aventurados (Mt. 5.11,12). Deus promete, no meio da perseguição, nos dá o escape, mesmo que esse venha com a morte. A galeria dos heróis da fé de Hb. 11 é uma demonstração dessa verdade. O Senhor pode decidir ser glorificado através da passagem dos seus servos para a eternidade. Estevão se tornou o primeiro mártir da fé cristã, mas para isso precisou sacrificar a própria vida, por amor a verdade do evangelho de Jesus Cristo (At. 7.51-60). Mas o Senhor pode soberanamente dar o livramento nesta vida, de maneira providencial como fez com os jovens judeus na Babilônia (Dn. 3.24,25). Mas eles não foram salvos para a glória pessoal, antes para dar glória a Deus (Dn. 3.26).

•CONCLUSÃO
Nabucodonosor reconheceu que o Deus de Ananias, Misael e Azarias era o Deus Poderoso (Dn. 3.28,29). As atitudes da igreja, em todo o tempo, como sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13,14), devem apontar para Cristo. Ele é Cabeça da Igreja, e nós, como corpo, devemos agir a partir dos Seus princípios. Uma igreja cristã autêntica tem compromisso com a Cabeça, não em agradar a líderes meramente religiosos (Cl. 1.18). Ainda que sejamos perseguidos, estamos certos que nada nos separará do amor de Cristo (Rm. 8.39-37). Pense Nisso!

Deus é Fiel e Justo!

O DEUS QUE INTERVEM NA HISTÓRIA

Textos: Dn. 2.12-23

•INTRODUÇÃO
No estudo desta semana, a partir do sonho de Nabucodonosor, e da revelação de Daniel, veremos que Deus intervém na história. Inicialmente, destacaremos o mistério em relação ao sonho, considerando que o próprio rei não foi capaz de contá-lo. Mostraremos também as exigências descabidas do monarca, exigindo as vidas dos sábios do palácio, caso esses não descrevessem e interpretassem. Ao final, explicaremos que o Deus de Daniel, por conhecer e intervir na história, não apenas deu a interpretação ao Seu servo, mas também revelou o que o rei havia sonhado.

•1. O SONHO DE NABUCODONOSOR
O sonho de Nabucodonosor, que se encontra em Dn. 2, nos dá uma visão panorâmica dos acontecimentos futuros. O monarca babilônico se encontrava em uma posição de opulência, depois de ter dominado toda a terra (Jr. 27.6,7). A Babilônia, por aquele tempo, se transformou na rainha das nações, a capital da civilização, o centro da cultura, a sede do comércio. Mas certa noite o rei teve um sonho perturbador, de modo que o fez perder o sono, justamente porque era incapaz de saber o conteúdo daquela visão (Dn. 2.1). Tratava-se de um sonho misterioso, que se encontrava no inconsciente do rei. Então mandou chamar os magos, astrólogos, encantadores e caldeus para que declarassem o que o rei tinha sonhado. Os sábios esperavam que Nabucodonosor revelasse o sonho, para que esse fosse interpretado por eles (Dn. 2.3,4). A língua utilizada por eles foi o siríaco, uma variação do aramaico, talvez uma maneira de mostrar identificação com o rei. Em tom de ameaça o monarca exige dos sábios uma interpretação, mesmo sem ter a capacidade de relatar o sonho. A crueldade desse rei é identificada em suas palavras “se me não fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados” (Dn. 2.5). Por outro lado, ofereceu-lhes benefícios, caso fossem capazes de revelar e interpretar o sonho: “receberei de mim dons, e dádivas, e grande honra, portanto declarai-me o sonho e a sua interpretação” (Dn. 2.6). Os sábios insistiram para que o rei contasse o sonho, para que pudessem dar uma interpretação. Na verdade eles estavam tentando ganhar tempo, por não terem competência para fazê-lo. Essa é uma demonstração das limitações humanas em relação à revelação. Ninguém pode declarar as verdades ocultas de Deus, a menos que Ele mesmo decida revelá-las (Mt. 11.28; Dt. 29.29).

•2. O FRACASSO DOS SÁBIOS DA BABILÔNIA
Os caldeus se expressaram, mostrando a incompetência humana diante daquele mistério (Dn. 2.10). Eles reconheceram que ninguém “sobre a terra” poderia declarar o sonho do rei, e nisso estavam corretos. A exigência do rei era difícil demais, apenas uma intervenção sobrenatural, vinda de Deus, poderia satisfazer a vontade do rei. Essa resposta deixou o rei irado, ao ponto de ordenar a matança de todos os sábios da Babilônia (Dn. 2.12,13). Aquele decreto resultaria inclusive na morte do jovem Daniel e seus amigos (Dn. 2.14). Ao invés de se exasperar, Daniel, com brandura, buscou aplacar a ira dos emissários do rei. O comportamento do jovem Daniel nos faz lembrar que a palavra branda desvia o furor (Pv. 15.1). Tenhamos cuidado para não tomar decisões precipitadas, muito menos nos adiantar nas palavras. Daniel resolveu pedir ao rei um tempo para que pudesse dar a interpretação do sonho. Aquele jovem sabia que em tempos de aflições, Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia (Sl. 46.1). Ele tomou a decisão de partilhar a situação com seus amigos, Hananias, Misael e Azarias, para que eles orassem em favor da situação. Como Daniel, e seus amigos, devemos confiar que Deus intervém na história através da oração. Como bem nos lembra Tiago, a oração do justo pode muito em seus efeitos (Tg. 5.16). Nenhum cristão, entre eles os jovens, não deve desprezar o valor da oração. O pragmatismo moderno tem distanciado os cristãos das horas silenciosas, e dos momentos particulares de oração. A oração é a porta aberta para os céus (Lc. 3.21), o próprio Jesus orou, motivo suficiente para orarmos (Hb. 10.5-7). Daniel também é um exemplo de confiança na soberania de Deus. O Senhor conhece todas as coisas (Sl. 147.5), nEle está a profundidade da sabedoria (Rm. 11.33), em Cristo repousa a plenitude da divindade (Cl. 2.9).

•3. DANIEL INTERPRETA O SONHO
Diante das autoridades, Daniel defendeu, com sabedoria, que Deus revela o profundo e o escondido, porque conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz (Dn. 2.22). Em seguida pede para ser introduzido à presença do rei, para trazer a interpretação do seu sonho (Dn. 2.24). Antes Daniel chama a atenção do rei, ressaltando que sua exigência foi despropositada, considerando que aquele segredo ninguém seria capaz de descobrir (Dn. 2.27). Existem pessoas, até mesmo entre os cristãos, que assim como fez Saul (I Sm. 28), querem forçar determinadas revelações. Mas não adianta investir em profecias que não foram dadas por Deus, somente o Senhor tem as revelações (Dn. 2.28). Paulo lembrou a grandeza desse Deus no Areópago em Atenas (At. 17.23-25). E apelando a revelação do Senhor, Daniel declara que o rei sonhou com uma grande estátua de material heterogêneo. Os vários materiais daquela estátua tinham significados profundos, os quais foram revelados pelo profeta do Senhor. A cabeça de ouro representava o império babilônico, que durou de 606 a 539 a. C. Os braços e peito de prata representava o império medo-persa, que durou de 539 a 331 a. C. O ventre e as coxas de bronze representavam o império grego, que durou de 331 a 146 a. C. E as pernas e pés de ferro e barro o império romano que durou de 146 a. C. a 476 d. C. Daniel viu ainda que “uma pedra foi cortada sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e barro, e os esmiuçou” (Dn. 2.34). A pedra se refere a Cristo, em alusão às revelações do Senhor, em Seu sermão escatológico (Mt. 24.30). Isso acontecerá por ocasião da vinda de Jesus, a fim de despedaçar o governo do anticristo (Mt. 21.44). Esse será o momento em que o Reino de Deus, em sua plenitude, será inaugurado (Is. 2.2; Mt. 16.18; I Pe. 2.5), após a batalha do Armagedom (Ap. 17.14; 19.16).

•CONCLUSÃO
Como um verdadeiro profeta de Deus, Daniel se negou a receber as recompensas oferecidas pelo monarca. O Senhor, no entanto, usou aquela oportunidade, a fim de concretizar Seu desígnio, em relação ao Seu povo. Em todas as circunstâncias devemos confiar em Deus, que continua se revelando, e dependendo da Sua soberania, certos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo Seu propósito (Rm. 8.28). Como Daniel, devemos ser humildes, reconhecendo que o Deus, além de revelar os mistérios ocultos, tem a história em suas mãos. PENSE NISSO! 

Deus é Fiel e Justo!

A FIRMEZA DO CARÁTER MORAL E ESPIRITUAL DE DANIEL

Textos: 1.1-20

•INTRODUÇÃO
Conforme estudamos na lição anterior, após a queda de Judá perante a Babilônia, os jovens intelectuais foram levados cativos para aquela nação. É nesse contexto que encontramos Daniel, diante da adversidade e da oposição cultural em relação a sua fé. No estudo desta semana nos voltaremos para a firmeza moral e espiritual desse homem amado de Deus, que serve de exemplo de resistência, diante de culturas que não se coadunam com os princípios divinos. 

•1. O FAVOR DE DEUS A DANIEL
Conforme destacamos em aulas anteriores, aconteceram várias deportações de judeus para a Babilônia. Daniel e seus amigos foram conduzidos a essa nação por volta do ano 605 a. C., quando tinham aproximadamente 15 anos, portanto, na juventude. Em Judá, por aqueles dias, a idolatria havia tomado conta da nação, as pessoas não tinham mais compromisso com a Palavra de Deus. Mesmo assim, conforme antecipou Isaias em sua mensagem profética, Deus sempre tem seu remanescente (Is. 7.3). Na igreja acontece a mesma situação, há aqueles que professam o nome de Deus apenas com os lábios, mas seus corações estão distantes do Senhor (Mt. 7.21-23). Felizmente existem aqueles que não se dobram diante das ameaças, e permanecem firmes diante do confronto cultural, sem fazer concessões em relação a sua fé. Assim agiram Daniel e seus amigos, que foram preparados providencialmente por Deus para enfrentarem aquela condição adversa, a fim de testemunharam da grandeza de Deus em meio a um contexto pagão (Dn. 1.6). Existem pessoas, como Moisés e Paulo, que são separadas por Deus de acordo com seu propósito, a fim de cumprir Seus desígnios e fazer Sua vontade (At. 7.22; 17.27; II Tm. 4.13). Os jovens da igreja não devem fugir da responsabilidade estudantil, devem se esforçar e se destacar diante dos colegas, pois Deus poderá utilizar-se dessa preparação para cumprir algum propósito (Dn. 1.20). Mas é necessário que se mantenham firmes em suas convicções, não fazendo concessões em relação aos seus princípios. Daniel se encontrava em um grande centro cultural, mas não permitiu ser aculturado, antes aproveitou aquela oportunidade para revelar o Deus de Israel aos babilônicos. Os jovens cristãos que adentram as universidades devem se esforçar, e darem o máximo para se destacarem, mas não podem esquecer-se da Palavra, e não trocarem a revelação pelas filosofias que ali imperam (Cl. 2.8).  

•2. A ASCENÇÃO DE DANIEL NA BABILÔNIA
Daniel e seus amigos se encontravam no palácio do rei da Babilônia, sendo treinados para receberem a cultura daquela nação. O objetivo daquele treinamento era fazer com que os jovens se coadunassem a forma de pensar babilônica. Mas Daniel não entrou na forma daqueles que queriam moldá-lo de acordo com os padrões daquela cultura, ele sabia que estava sendo testado, e tomou a decisão de ser aprovado por Deus (II Tm. 2.15). Devemos lembrar das palavras de Paulo aos cristãos de Roma, para que esses não se deixassem transformar em conformidade com o pensamento deste século, mas que experimentassem a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm. 12.1,2). Isso quer dizer que somos chamados, como Daniel, para viver em santidade, não apenas moralmente – fazendo a distinção entre o certo e o errado, mas também a por em prática os ensinamentos que recebemos do Senhor. No que tange à espiritualidade, os cristãos devem se relacionar com Deus, através da oração e meditação na Palavra de Deus. Somente com a preparação que vem de Deus seremos capazes de enfrentar as situações adversas, até mesmo quando leis injustas forem criadas a fim de perseguir os cristãos (At. 5.29). Há situações que a desobediência às leis humanas são permitidas, principalmente quando essas se opõem à Palavra de Deus. As parteiras hebreias (Ex. 1), os apóstolos (At. 4), e até mesmo Jesus (I Pe. 2.13-25) mostram que entre a Palavra de Deus e a dos homens devemos optar pela primeira. No entanto, se possível, conforme expressou Paulo, devemos buscar viver em paz com todos, inclusive com as autoridades (Rm. 12.18). Esse exemplo nos foi dado por Daniel, que se dedicou ao máximo para conciliar seus valores com os padrões estabelecidos pelo governo babilônico.

•3. A FIRMEZA DE DANIEL NA BABILÔNIA
Em Dn. 1.18-20 está escrito que o próprio Nabucodonosor decidiu fazer um teste a fim de averiguar o desenvolvimento dos jovens súditos do palácio. Daniel foi aprovado naquele teste, e o principal, suas convicções fizeram a diferença. Como cristãos, devemos buscar espaços na sociedade, os jovens devem se dedicar, se prepararem para os concursos. Ao mesmo tempo, devem buscar ter uma vida cristã equilibrada, conciliando os estudos com a vida devocional. O problema de alguns jovens em contextos universitários é o extremismo. Alguns deles enfocam demasiadamente o espiritual e se esquecem de cumprir suas responsabilidades estudantis. Outros enfatizam tanto o material que acabam se distanciando da fé que uma vez professaram. Daniel viveu vários anos na condição de exilado, mas Deus o preservou no ministério. Como estadista não fez concessões em relação aos seus princípios, tornando-se um exemplo para todos aqueles que almejam a vida pública. Na época das eleições vários candidatos se apresentam às igrejas, e querem os votos dos fiéis simplesmente por ser evangélicos. O desafio deles não é apenas serem eleitos, mas principalmente permanecerem firmes em seus valores. Atentando não apenas para os aspectos morais do seu chamado, mas também espiritual, sem se esquecerem da responsabilidade social. Há políticos evangélicos que defendem apenas uma agenda moral, criticando o liberalismo em relação ao aborto, divórcio e homossexualidade, mas esquecem da pauta social. Além de não promoverem o bem social, ainda se envolve em atos de corrupção, subvertendo os cofres públicos, dinheiro que deveria ser investido em saúde e educação de qualidade. Mas Daniel, enquanto homem público, comprometeu-se com a causa divina. O chamado de Deus não é apenas para ocupar posição de status, mas para cumprir nosso papel, mantendo-nos fieis ao Senhor (I Ts. 5.23,24). 

•CONCLUSÃO
Como cristãos diante da cultura contemporânea, somos chamados a decidir qual lado tomaremos. Poderemos nos conformar com mundo, seguindo seus princípios, que fazem oposição à vontade Deus. Mas também podemos decidir ser transformados pela Palavra de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo (II Co. 10.5). Se assim fizermos, seguiremos o modelo de Daniel, nos mantendo firmes no que tange à moralidade, não defendendo ensinamentos contrários a Palavra de Deus. E também não desprezaremos uma vida espiritual piedosa, investindo na produção do fruto do Espírito na vida cristã (Gl. 5.22). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!