PALAVRA DA VERDADE

Textos: Tg. 1.9-18


•INTRODUÇÃO
A Teologia da Prosperidade, que prefiro denominar de Teologia da Ganância e Cafetões da Prosperidade, faz opção pelos ricos, assumindo que os que não têm riquezas são amaldiçoados. A Teologia da Libertação, em outro extremo, defende que Deus fez opção pelos pobres, em detrimento dos ricos. No estudo desta semana veremos a respeito desse complexo assunto, e pouco compreendido no contexto cristão. Mostraremos, inicialmente, a importância de ser gerado pela Palavra da verdade, para se posicionar a respeito do assunto, em seguida, mostraremos o que a Bíblia revela a respeito de ricos e pobres, ressaltando os ensinamentos de Tiago.

1. POBRES E RICOS NA PALAVRA DA VERDADE
Não podemos desconsiderar que a Bíblia diz muito sobre ricos e pobres. As palavras de Jesus, ao longo dos Evangelhos, ressalta a importância de considerar os necessitados (Mt. 25.40). Mas nem sempre as igrejas que se dizem cristã atentam para essa relevante verdade, argumentando que nem só de pão vive o homem (Mt. 4.4). Essa também é uma verdade, mas isso não deve servir de justificativa para o descaso quanto aos que carecem de auxílio na igreja. Desde o Antigo Pacto Deus demonstrou interesse por aqueles que passavam fome (Lv. 19.9,10). A cultura do desperdício, incentivada pelo mercado, foi condenada por Jesus, que se preocupou em alimentar uma multidão faminta (M6t. 6.34-44). Existem pessoas que passam fome, e se encontram em condição de pobreza extrema, por causa da inveja e partidarismos, não porque não queiram trabalhar (I Co. 12.19-26). É importante fazer esse destaque porque há cristão que para não se envolverem com os pobres preferem culpá-los pela situação na qual se encontram. As generalizações precisam ser avaliadas, principalmente quando se trata daqueles que se encontram em condição de vulnerabilidade. Não podemos deixar de considerar que vivemos em uma sociedade desigual, que predomina a corrupção e que impera os interesses econômicos. O autor de Provérbios já antecipava as implicações de uma nação que não vive a partir de uma ética cristã (Pv. 17.23-26). Evidentemente a pobreza pode ser resultado de uma vida desregrada, controlada pelos vícios, como também mostra o escritor de Provérbios (Pv. 23.29-35). Mas nem sempre, pois o pagamento injusto dos salários pode ser uma das causas da pobreza, em virtude da ganância que se propaga na sociedade, percebemos que as pessoas trabalham cada vez mais, para ganharem cada vez menos (Lv. 19.13). O dinheiro se tornou um deus para o homem do presente século, verdade já revelada por Jesus ao relacioná-lo a Mamom (Mt. 6.24). Ao invés de entesourarem no céu, o ser humano moderno quer cada vez mais, sem se preocupar com aqueles que nada têm (Mt. 6.19-21). A política dos homens é estruturada para retirar os benefícios dos mais pobres, causando dependência e humilhação. Somente quando a cidade celestial vier, teremos um governo no qual o direito dos mais pobres será respeitado (Ap. 21.3-7). Aqueles que se aproveitam dos necessitados serão julgados pelo Senhor, principalmente os que controlam as leis injustamente para tirar vantagens pessoais (Is. 10.1,2).

•2. POBRES E RICOS NA EPÍSTOLA DE TIAGO
A Epístola de Tiago, em consonância com a revelação geral das Escrituras, denuncia veementemente aqueles que enriquecem, aproveitando-se da situação de extrema pobreza. A pobreza, de acordo com esse apóstolo, acontece: 
1) por causa de mecanismos legais, que suprime o direito daqueles que se endividaram (Tg. 2.1-12); 
2) a cultura da ganância, que prima pela ostentação (Tg. 4.-13-17); 
3) mecanismos de opressão, através da retenção dos salários dos mais pobres (Tg. 5.4). 
Tiago reconhece que vivemos em um mundo caído, que faz com que as pessoas queiram oprimir umas as outras (Tg. 1.18,21; 4.6; 5.19,20). É um problema, como admoesta Paulo, colocar a confiança nas riquezas, principalmente porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tm. 6.10). A Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, não censura a riqueza, contanto que essa seja adquirida honestamente (Sl. 112; Pv. 10.4). Mas Tiago admoesta quanto ao ajuntamento de riqueza ilícita, que acarretará em juízo de Deus, além disso a ostentação trará ruína (Tg. 5.1). Isso acontece porque existem ricos que se entregam ao luxo retendo o salário dos trabalhadores, de forma corrupta e fraudulenta (Tg. 5.4). O autor dos Provérbios adverte àqueles que enriquecem roubando os pobres (Pv. 22.16,22), contrariando a ordenança de Deus dada através de Moisés  (Lv. 19.13; Dt. 24.14,15). O estilo de vida regalado dos ricos, bastante comum na sociedade contemporânea, incentivado pelo consumismo desenfreado, corrompe até mesmo as autoridades constituídas (Tg. 5.6). A política no Brasil reflete essa realidade, os eleitores escolhem seus candidatos, mas esses, ao se elegerem, governam para os ricos, sacrificando os pobres. No Antigo Pacto Amós denunciava aqueles que compravam as sentenças contra os pobres por dinheiro, condenando e matando os justos (Am. 2.6; 5.12,13). Deus advertiu aos juízes para não serem gananciosos (Ex. 18.21), nem parciais (Lv. 19.15), nem tolerarem o perjúrio (Dt. 19.16-19). A prática do suborno, às vezes normatizada pelo costume, foi condenada pelo Senhor (Is. 33.15; Mq. 3.11; 7.3). Existem pessoas que morrem nos hospitais por falta de assistência básica, enquanto isso o dinheiro que deveria ser aplicado na saúde escoa para os cofres dos ricos, para satisfazerem sua luxúria (Tg. 5.5).

•3. POBRES E RICOS GERADOS PELA PALAVRA
Não é pecado em si ser rico, Paulo reconhece que esses podem ser cristão, mas que não podem ser altivos, nem devem por sua esperança nas riquezas, antes em Deus, que nos concede abundantemente (I Tm. 6.17). Os ricos que são gerados pela palavra de Deus, não colocam o coração nas propriedades terrenas, sabem que nada trouxeram para este mundo, e que nada também levarão (I Tm. 6.7). Eles não fazem como o rico insensato da parábola contada por Jesus, que se ufanou de tudo o que havia adquirido na terra, sem atentar para seu fim iminente (Lc. 12.20). O salmista advertiu os ricos da sua época para que se suas riquezas aumentassem, não colocassem nelas o coração (Sl. 62.10). O maior capital de um cristão, independentemente da sua posição socioeconômica, é a piedade com contentamento, essa é grande fonte de lucro (I Tm. 6.6). Fazendo assim, o cristão cresce na Palavra de Deus, mais que isso, é gerado por ela (Tg. 1.18). O secularismo está solapando muitos cristãos, isso porque eles são incapazes de fazerem a distinção entre o certo e o errado (Is. 5.20). Deus está advertindo esta geração para que se volte para Sua palavra (Tg. 1.21). Precisamos de uma igreja saudável, fundamentada na Palavra, para evitar o superficialismo. Há igrejas que não têm mais tempo para a exposição do texto bíblico. Os cultos e/ou reunião estão sendo transformados em “programas de auditório”, isso porque os “líderes” não querem perder os seus “fiéis”. É preciso também que os ouvintes sejam praticantes da Palavra (Tg. 1.22-25). A falta de compromisso de alguns cristãos é preocupante, não são poucos os que frequentam a igreja, mas não vivem o que propõe o evangelho. Esses não se espelham na Palavra de Deus, ou seja, não fazem autoexame, findarão condenados com o mundo (I Co. 11.31,32). Bem-aventurados são aqueles que ouvem e praticam a Palavra de Deus, esses serão bem sucedidos em tudo que fizerem (Js. 1.6-8).

•CONCLUSÃO
Careceremos de uma geração de cristãos que se fundamentem na Palavra de Deus. Esses não se deixarão conduzir pelos ditames deste mundo relativista, que transforma o errado em certo, o amargo em doce. Os valores desta sociedade estão deturpados, por isso a igreja precisa adotar um posicionamento profético, para denunciar o pecado, não apenas os morais, também os sociais. Não podemos fechar os olhos em relação à corrupção que resulta em pobreza extrema. Devemos ensinar que aqueles que roubam, inclusive os cofres públicos, devem abandonar essa prática, e trabalhar justamente, exercitando a generosidade (Ef. 4.28). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA HUMILDE

Texto:  Tg. 1.5; 3.13-18


•INTRODUÇÃO
Os cristãos do primeiro século enfrentaram perseguições, por causa disso alguns deles abandonaram a fé, e retornaram às práticas judaicas. Tiago, em consonância com o autor da Epístola aos Hebreus, conclama seus leitores a permanecerem firmes. O primeiro apela à sabedoria do alto, que se materializa na disposição para enfrentar a provação, sem negar a fé. No estudo desta semana veremos a respeito dessa sabedoria, que deve ser demonstrada, sobretudo, em humildade, na confiança em Deus, que é o provedor dessa sabedoria, diferente da humana ou diabólica.

•1. SABEDORIA DO ALTO NA PROVAÇÃO
A falta de maturidade é uma demonstração de ausência de sabedoria, aqueles que não sabem lidar com as adversidades revelam infantilidade. Jó é um exemplo bíblico de sabedoria na provação, ao invés de blasfemar contra Deus, prostrou-se em terra em adoração, e disse: “nu sai do ventre da minha mãe, e nu partirei, o Senhor o deu, o Senhor o levou, louvado seja o nome do Senhor” (Jó. 1.20). Esse tipo de cristão está em extinção nos dias atuais, isso porque a ênfase no hedonismo está favorecendo um tipo de fé superficial, que beira à mediocridade, que não admite passar por situações adversas. Para Tiago a verdadeira sabedoria, tal como aquela expressa nos Provérbios, é prática e tem a ver com a convicção de fé, mesmo quando as coisas não acontecem do jeito que desejamos. O insensato, em Provérbios, é aquele que deixa de reconhecer suas limitações, que se fundamenta na autos suficiência, que acha que pode descartar Deus (Pv. 26.12). Existem esses até mesmo entre os que se dizem cristão, tais precisam pedir sabedoria para enfrentar os momentos difíceis, ao invés de negá-los. A palavra pistis em grego, geralmente traduzida por fé, traz nessa Epístola, a conotação de fidelidade. Para Tiago ter fé é mais do que acreditar, trata-se de uma disposição para enfrentar a provação. A demonstração da fidelidade resulta em obediência (Tg. 2.14), que não se deixa mover pelas circunstâncias (Tg. 1.6). Como fez Salomão, devemos pedir a Deus a sabedoria necessária para fazer a diferença entre a verdade e o engano (II Rs. 3.7-9). A sabedoria que o monarca recebeu era de Deus, não dos homens.  De vez em quando os cristãos são rotulados de ignorantes, e isso tem um fundo de verdade. Deus destrói a sabedoria dos sábios segundo o mundo, que fundamentam seus argumentos em axiomas. Por isso, para aqueles que não confiam nas promessas de Deus, a mensagem da cruz é totalmente absurda (I Co. 1.24-26). A loucura da pregação nos convida a confiar no Senhor, de todo coração e a não nos apoiar em nosso próprio entendimento (Pv. 3.5,6).

•2. O VALOR DA SABEDORIA DO ALTO
A importância da sabedoria para o cristão é o próprio Jesus Cristo, nEle estão escondidos todos os tesouros da sabedoria (Cl. 2.3; I Co. 1.24).  O autor de Provérbios encerra em poucas palavras seu valor: “Como é feliz o homem que acha a sabedoria, o homem que obtém entendimento, pois a sabedoria é mais proveitosa do que a prata e rende mais do que o ouro [...] a sabedoria é árvore que dá vida a quem a abraça; quem a ela se apega será abençoado (Pv. 3.13,14,18). Essa sabedoria não é terrena, ou melhor não é deste mundo (Tg. 3.15), que é pura tolice, ao ser comparada com a sabedoria de Deus. A construção da torre de Babel é um exemplo do que pode fazer a sabedoria humana (Gn. 11.9). O projetos humanos tem causado muita desilusão, principalmente quando destituídos da orientação divina. A ciência tem trazido muitas contribuições para a sociedade, mas infelizmente tem servido mais para o mal do que para o bem. As grandes invenções estão a serviço dos interesses da minoria, pouco investimento tem sido feito na solução dos problemas sociais. O avanço do conhecimento não é proporcional à sabedoria, somos capazes de fazer viagens espaciais, mas não sabemos como conviver com nossos vizinhos. O otimismo da ciência, influenciado pelo Positivismo de Comte, está em declínio. A pós-modernidade é justamente a desconstrução dos valores cientificizados, até mesmo a confiança na educação está abalada. A formação acadêmica não é garantia de uma ética pautada no respeito ao próximo, sobretudo do temor a Deus, que é o princípio da sabedoria (Pv. 1.7). Para Tiago a sabedoria de Deus é espiritual, não é física, do grego psykikos, ou natural. Se diferencia também por não ser demoníaca (Tg. 3.15), os conhecimentos humanos podem ser projetos para a mentira (Rm. 1.18-25), para semear o ódio e a discórdia. A verdadeira sabedoria provém do alto, ela não é resultante apenas de lógica, mas da oração, de momentos de intimidade com Deus (Tg. 1.5). A palavra de Deus é o fundamento dessa sabedoria, pois ela nos torna sábios para a salvação (II Tm. 3.15).

•3. A DEMONSTRAÇÃO DA SABEDORIA DO ALTO
A sabedoria que não provém de Deus é falsa, e se manifesta através da inveja que causa amargura (Tg. 3.14,16). A sabedoria dos homens, pautada no egoísmo, busca apenas o interesse próprio. Existem até aqueles que se ufanam da religiosidade, como faziam os fariseus dos tempos de Jesus (Mt. 6.1-18). O conhecimento bíblico acumulado não garante que o detentor é uma pessoa sábia.  Existem casos de pessoas que tem muito conhecimento, mas não são amorosos, é justamente o amor que equilibra o conhecimento, e revela sabedoria (I Co. 8.1). A ética do amor é a base da verdadeira sabedoria, os cristãos que são sábios amam, tanto a Deus quanto ao próximo (Mt. 22.37,38; I Co. 13). O sentimento faccioso é uma característica da  sabedoria meramente humana (Tg. 3.14, 26).  A palavra eritheia dá ideia de partidarismo, um dos sentimentos predominantes na igreja de Corinto (I Co. 1.10-13). Os cristãos que amadureceram na fé não vivem em disputas, não estão preocupados em conseguir espaço, não perseguem os holofotes. Essa é uma sabedoria vã, no sentido bíblico de vaidade, que passa, é efêmera, temporária (Ec. 1.1,2). É uma pena que muitas pessoas estão se digladiando dentro das igrejas por causa de espaço. As disputas políticas no contexto eclesiástico é uma demonstração de falta de sabedoria. A sabedoria do alto, que vem de Deus, nos conduz à mansidão, não se exaspera, não perde o controle (Tg. 3.13). A sabedoria do alto, que vem de Deus, nos impulsiona para a pureza. A santidade é uma marca do cristão que busca agradar o Senhor, que não se envolve com o mundanismo, que não ama as coisas do presente século (Rm. 12.1,2). A sabedoria do alto faz sossegar a nossa alma (Tg. 3.17), e nos dá a paz que o mundo desconhece (Jo. 14.27). Essa é uma paz que excede todo entendimento (Fp. 4.6,7), sendo resultante do fruto do Espírito (Gl. 5.22).

•CONCLUSÃO
Vivemos na era do conhecimento, as pessoas estão envoltas de informações, algumas deles extremamente desnecessárias. Os cristãos, em meio às adversidades da vida, devem buscar a sabedoria de Deus, que vem do alto. Essa sabedoria está fundamentada no amor, na paz de Deus que excede todo entendimento. Além disso, ela é tratável, aberta à revelação de Deus, cheia de misericórdia, se preocupa com os necessitados. Essa, portanto, é uma sabedoria prática, que produz frutos, dignos de arrependimento (Mt. 3.8), demonstrada em imparcialidade, não se deixa cooptar pelas conveniências, não é fingida. Busquemos, pois, a sabedoria de Deus, que diferentemente da sabedoria do mundo, não produz problemas e resulta em bênçãos espirituais (Tg. 3.16-18). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

O PROPÓSITO DA TENTAÇÃO


Textos: Tg. 2.14-26



•INTRODUÇÃO
Conforme estudamos na lição anterior, a Epístola de Tiago foi endereçada às “doze tribos”, provavelmente judeus cristãos do primeiro século (Tg. 2.1). Esses estavam passando por situações adversas, provações por seguirem a Cristo. Na verdade esse é o preço do discipulado (Mt. 16.24). No estudo desta semana destacaremos o aspectos das provações pelas quais os cristãos passam, bem como os objetivos e as possibilidades de vitórias sobre essas. Ao final esperamos motivar os irmãos e irmãs que são perseguidos por amor a Cristo a perseverarem na fé, até a volta de Jesus.

•1. A TENTAÇÃO QUE É PROVAÇÃO
A palavra traduzida por tentação na Almeida Revista e Corrigida (ARC) em grego é peirasmós também significa provação. Nesse contexto essa palavra seria mais adequada, ao invés de tentação, considerando que os cristãos daquele período estavam passando por perseguições por causa de Cristo. Nesse texto o termo peirasmós tem uma conotação positiva, diferentemente da palavra tentação, cujo significado é negativo. A provação aponta, de acordo com as instruções de Tiago, para um teste, que resulta em aprovação ou reprovação. Evidentemente as pessoas não querem sofrer, há até os cristãos que propõem um cristianismo isento de sofrimento. Tal ensinamento não tem respaldo bíblico, pois Jesus ensinou que no mundo teríamos aflições (Jo. 16.33). Paulo afirma que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus (At. 14.22). E alertou Timóteo que todos os que querem viver piamente em Cristo padecerão perseguições (I Tm. 3.12). Jó concluiu que o homem nasce para a tribulação como as faíscas voam para cima (Jó. 5.7). As causas das provas são diversas, não necessariamente elas provêm de Deus. Há pessoas que são provadas por causa da condição humana. Isso acontece porque somos humanos, e como tais nós passamos por enfermidades e desapontamentos, como qualquer outra pessoa, seja ela crente ou descrente. Existem provas também que resulta dos nossos pecados, mas essas não podem ser generalizadas, nem todas as pessoas sofrem por causa de pecados (Jo. 9.1,2; 11.4). Algumas pessoas são provadas porque tomaram uma decisão por Cristo. Nos dias atuais a perseguição predominante é ideológica, os cristãos estão perdendo espaço, até mesmo empregos e posições sociais. Tiago utilizou o termo poikilos que significa várias em grego, isso quer dizer que as provações têm fontes variadas, mas até essas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm. 8.28).

•2. OS OBJETIVOS DAS PROVAÇÕES
Quando somos provados, essas não são além das nossas forças, Deus sabe até onde somos capazes de suportá-las (I Co. 10.11). Por isso devemos saber que as provações são passageiras, elas não duram para sempre (Tg. 1.2). Existem pessoas que sofrem mais do que outras, e Deus tem seus propósitos em cada vida. Não podemos esquecer que Ele pode utilizar as provações com o fim pedagógico (Tg. 1.3,4). Deus é um dos poucos professores que primeiro entrega a prova para que os alunos extraiam a lição depois. Abraão foi chamado por Deus, mas antes precisou ser provado, a fim de mostrar seu compromisso com o Senhor. As provas de Deus objetivam nosso amadurecimento espiritual. Os cristãos mais imaturos são justamente aqueles que menos foram provados. As provas, quando resultam em crescimento espiritual, fortalecem a fé dos cristãos. Como destaca Paulo, nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória (II Co. 4.17). Todos nós estamos “em construção”, e Deus está trabalhando em nossas vidas (Ef. 2.8-10). Assim Ele fez com José e Moisés, e está fazendo em muitos outros, inclusive em nós. O resultado da provação é a perseverança, a palavra grega é hupomene, que significa paciência, mais propriamente, firmeza diante das adversidades. Os cristãos imaturos não conseguem esperar muito, se afastam do caminho na primeira adversidade que encontram. Por causa dessa impaciência Moisés matou o egípcio, sansão contou seu segredo a Dalila, e Pedro quase matou Malco. Ninguém deve temer as provas, nem mesmo aquelas que são permitidas por Deus. Jó reconheceu que inicialmente conhecia Deus apenas de ouvir, mas depois de provado teve uma percepção mais grandiosa da glória de Deus (Jó. 42.5).

•3. A VITÓRIA SOBRE AS PROVAÇÕES
Os evangélicos influenciados pelo hedonismo moderno pensam que a vitória sobre a provação é justamente se livrar delas. Mas essa é uma realidade que não se concretiza para todos, somente para alguns, de acordo com a soberania de Deus. Há aqueles que somente obterão vitória das suas provas na eternidade, como aconteceu com os heróis da galeria de Hebreus 11. A vitória sobre as provações está justamente na fé, que é firme fundamento das coisas que se esperam, mas que não são visíveis (Hb. 11.1). Esse é o tipo de fé que Deus exige do Seu povo, não uma fé de barganha, alicerçada nas satisfações pessoais. Essa geração está adoecida pelo hedonismo, o prazer tornou-se a razão de ser, até mesmo entre os cristãos. Influenciados pela teologia da ganância, e pelo movimento pseudopentecostal, querem apenas as mãos de Deus, se distanciam da Sua face. A vitória que vence o mundo é a nossa fé (I Jo. 5.4), pistis em grego, que também pode ser traduzida como fidelidade. Sem uma fé compromissada é impossível agradar a Deus, os que dEle se aproximam devem ser fieis, independentemente das circunstâncias (Hb. 11.6). Jesus se dirigiu às igrejas perseguidas da Ásia Menor, mais especificamente para Esmirna, que passaria por provações, instruindo-a para que essa fosse fiel até a morte (Ap. 2.8-11). Carecemos de uma geração de cristõs que não tenha receio das provações, que não se acomodem com o marasmo, e com essa filosofia hedonista. Os bem-aventurados, conforme expôs Jesus, não são aqueles que não querem sofrer. Justamente o contrário, os bem-aventurados são aqueles que são perseguidos por causa do nome de Jesus. Esses devem exultar, pois grande será no céu o galardão deles (Mt. 5.12). Enquanto não chegarmos ao céu, vivemos nesta terra sujeitos às provações, essas servem para nosso amadurecimento espiritual. Isso porque Deus está mais interessando em forjar nosso caráter do que nos fazer financeiramente prósperos. O objetivo do Senhor, através das muitas provações pelas quais passamos, é moldar nosso caráter em conformidade com Cristo, nosso Modelo (Gl. 4.19).

•CONCLUSÃO
Os cristãos não estão imunes às provas, estamos sujeitos às mesmas condições dos descrentes. Por causa da nossa fé em Cristo podemos ser perseguidos, quando isso acontecer devemos exultar, pois sabemos que receberemos de Deus o galardão no céu. As provações pelas quais passamos nos alinham a fim de que sejamos moldados ao caráter de Cristo. Deus está construído nossas vidas, Ele está escrevendo nossa história. Mesmo nas situações adversas devemos saber que Aquele que começou a boa obra haverá de levá-la adiante, apesar dos pesares (Fp. 1.6).PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!