O TRIBUNAL DE CRISTO E OS GALARDÕES


                         
  Textos:  II Co. 5.10 – Leitura Bíblica  I Co. 3.11-15

INTRODUÇÃO
Após a Igreja ser arrebatada para se encontrar com Cristo nos ares (I Ts. 4.13-18), será estabelecido o Tribunal de Cristo, a fim de julgar as obras dos crentes, bem como os galardões. Na aula de hoje estudaremos a respeito desses eventos escatológicos, considerando, sobretudo, sua importância para que não deixemos de trabalhar, e de fazer a obra de Deus, enquanto é dia, por virá a noite, em que não mais será possível (Jo. 9.4).

1. O TRIBUNA DE CRISTO
Quando a Igreja for arrebatada, todos os crentes comparecerão perante Cristo, para que as obras sejam julgadas (II Co. 5.10; I Co. 1.8). Faz-se necessário esclarecer que esse julgamento não será para a salvação. Os crentes já foram salvos em Cristo, através do Seu sacrifício vicário (Ef. 2.8,9). Esse julgamento também não deve ser confundido com o Juízo do Grande Trono Branco, que acontecerá depois do Milênio, com vista à condenação dos ímpios (Ap. 20.11-15). No Tribunal (gr. bema) de Cristo, os fieis se apresentarão a fim de receber o galardão, que está com o próprio Senhor, para entregar àqueles que permaneceram firmes até o fim (Ap. 22.12). Aqueles que se sacrificaram pela obra de Deus, a exemplo de Paulo, receberão naquele dia, a coroa da justiça, reservada a todos que padeceram por amor a Cristo (II Tm. 4.8). Muitos crentes são perseguidos em várias partes do mundo, principalmente nos países que são inóspitos ao evangelho. Esses receberão do Senhor, quando Ele vier para arrebatar Sua igreja, o galardão. Jesus é o Supremo Juiz que entregará o prêmio àqueles que permaneceram fiéis, e que não negaram o nome do Senhor, mesmo em condições adversas. Os crentes são responsáveis pelo que fazem e deixam de fazer, isso quer dizer que o julgamento das obras não atentará apenas para as obras feitas, mas também pelas obras que os crentes deixaram de fazer. A esse respeito Paulo esclarece que “todos devemos comparecer ante o Tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (II Co. 5.10).

2. O JULGAMENTO DAS OBRAS
Esse será um julgamento justo, pois o Supremo Juiz é Cristo, e Ele mesmo avaliará as obras de cada crente. De acordo com I Co. 3.11-15, as obras serão provadas pelo fogo, isso porque esse revelará não apenas a quantidade, mas a qualidade das obras realizadas. Existem muitas pessoas que trabalham bastante nas igrejas locais, mas o objetivo não é a expansão do Reino de Deus, antes a promoção pessoal. A motivação com a qual desempenham o trabalho passará pelo crivo do Senhor. Há aqueles que buscam apenas as riquezas materiais, o fim último do trabalho é o enriquecimento através do ministério. Outros buscam fama e poder, querem o reconhecimento dos seus pares, e se ufanam em seus cargos “ministeriais”. Esses já receberam seus galardões, alguns podem até ser salvos, mas não receberão qualquer recompensa do Senhor. A famigerada teologia da ganância, denominada por alguns de prosperidade, está ufanando muitos crentes, esses apenas se interessam pelas riquezas materiais. A obra desses não resistirá ao fogo divino, pois não são feitas em Deus (Jo. 3.21), são madeira, feno e palha (I Co. 3.15). Os pastores que estão trabalhando na seara de Cristo devem cuidar a esse respeito. A profissionalização do ministério está fazendo com que alguns obreiros  pecam o foco do serviço cristão, querem subir ao trono, sem antes passar pela toalha (Jo. 13). Como nos tempos do profeta Ezequiel, há pastores que apenas apascentam a si mesmos, em detrimento das ovelhas (Ez. 34.7-10). É preciso acautelar-se para não se perder no ministério, deixando de perseguir o modelo que é Jesus, o Supremo Pastor, que entregou Sua vida pelas ovelhas (Jo. 10.10).

3. OS GALARDÕES
As obras dos crentes podem ser categorizadas, de acordo com a explicação de Paulo, em madeira, feno e palha, bem como ouro, prata e pedras preciosas. A madeira nas Escrituras tem a ver com a produção humana. Isso porque há pessoas que trabalham apenas para ser vistas pelos homens. Não poucos crentes nas igrejas labutam, e às vezes, incansavelmente, para ser reconhecidos pelos pastores, e receberem deles algum cargo ou recompensa. O feno é uma erva seca, que perece com facilidade. Isso diz respeito àqueles que querem receber a glória terrestre, destaque no exercício ministerial. Esses, como antecipou o Senhor em Seu sermão, “já receberam o seu galardão” (Mt. 6.2-16). A glória terrestre é passageira, existem crentes, até mesmo obreiros, que já se esqueceram do chamado, desviaram-se da vocação. Esses profissionais do ministério, como a palha seca que é lançada ao vento, não subsistirão na congregação dos justos (Sl. 1.4; Os. 13.3). Mas nem tudo está perdido, não podemos julgar todos igualmente, pois certamente há obreiros, crentes que trabalham denodadamente, a fim de satisfazer ao Senhor da obra. O trabalho desses é comparado ao ouro e a prata, isso porque eles labutam não para si mesmos, ou para serem reconhecidos pelos outros, antes para a glória de Deus (I Co. 10.31; Mt. 5.16). Há vários obreiros que envergonham o ministério, e que sequer podem ser associados ao Reino de Cristo. Outro, porém, ainda que desconhecidos da mídia, e que não são destacados nas Convenções ministeriais, receberão do Senhor o devido reconhecimento (Mt. 25.21-13).

CONCLUSÃO
Os crentes em Jesus devem trabalhar para o Ele, dedicarem-se incansavelmente para a expansão do Reino de Deus, colocando-O sempre em primeiro lugar (Mt. 6.33). Depois de labutarem, com afinco e esmero, precisam reconhecer que fizeram apenas o que lhe era devido (Lc. 17.7-10). Tenhamos cuidado para não enterrar o talento que recebemos do Senhor, e que o desenvolvamos, não para ostentação humana, mas para a glória de Deus (Mt. 25.14-30).

O ARREBATAMENTO DA IGREJA


                          
   Textos:  I Ts. 4.13-18

INTRODUÇÃO
A I Epístola aos Tessalonicenses foi escrita por Paulo, quando a igreja daquela localidade tinha dificuldade para compreender a natureza do arrebatamento, e da ressurreição dos salvos. A passagem de I Ts. 4.13-18 é bastante esclarecedora, e nos ajuda a compreender a sequência e objetivo desse acontecimento. Na lição de hoje faremos uma análise desse texto, destacando seu significado e propósito, não apenas para a igreja daquela comunidade, mas também para os crentes atuais.

1. RESSURREIÇÃO DOS SALVOS
Existem alguns aspectos que envolvem o arrebatamento da igreja, o principal deles será a ressurreição dos salvos. Isso significa que os crentes que morreram em Cristo, na ocasião do arrebatamento, ressuscitarão primeiro. Essa verdade bíblica está em consonância com I Co. 15.23,24, na qual o Apóstolo discorre sobre esse evento escatológico. Essa doutrina revela que há uma unidade entre os crentes vivos e aqueles que partiram com Cristo. Esse esclarecimento se fez necessário porque os crentes de Tessalônica tinham dúvidas em relação a esse episódio. Ao que tudo indica, alguns deles estavam desesperados, pois não sabiam o que acontecia depois da morte. Paulo explica: “Nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem” (I Ts. 4.15). A palavra “preceder” em grego é phthasõmen é acompanhada de um duplo negativo, a fim de demonstrar ênfase. Em relação ao futuro, o Apóstolo também é enfático: os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro (v. 16). Em relação à ressurreição, faz-se necessário esclarecer que Cristo é a primícias daqueles que haverão de ressuscitar; cujo acontecimento pleno se dará no arrebatamento da igreja. Mas existe ainda outra ressurreição, a do restante da humanidade, para juízo eterno (Dn. 12.2; Jo. 5.28,29; Ap. 20.5). Os santos que morreram em Cristo aguardam ainda a ressurreição, isso quer dizer, então, que eles esperam a glorificação do corpo, quando o que é corruptível se revestirá da incorruptibilidade (I Co. 15.51-55).

2. ARREBATAMENTO DA IGREJA
Por ocasião do arrebatamento (gr. harpazo) os crentes, tanto os vivos quanto aqueles que ressuscitarão, receberão um novo corpo glorificado. O objetivo, daqueles que vivem e dos que morreram, é será encontrar com o Senhor nos ares, e estar para sempre com Ele (I Ts. 4.17). Acontecerá, nessa oportunidade, uma transformação (allassõ), ou seja, os crentes assumirão uma nova posição. Em relação ao novo corpo, Paulo explica que terá uma mudança em conformidade com o de Cristo ressuscitado (Fp. 3.21; I Jo. 3.2). Nas limitações do corpo presente, gememos em nosso íntimo, aguardando a redenção (Rm. 8.23), o dia em que não mais passaremos por dores, as doenças e enfermidades não mais nos alcançarão. O arrebatamento tem um significado especial para os crentes, porque depois de celebrarmos nos ares as Bodas do Cordeiro, eles seguirão para a casa do Pai (Jo. 14.2,3; I Ts. 3.13). Essa também será um ato divino de livramento, considerando que os crentes arrebatados não passarão pela tribulação, serão livres da ira vindoura (I Ts. 1.9,10). Com Cristo assumiremos a cidadania do céu em Sua plenitude, por isso esperamos com ansiedade o dia no qual a trombeta soará. Com Paulo, aguardamos até que esse dia aconteça, e passemos a desfrutar das glórias que para nós foram reservadas (Tt. 2.13).

3. CONSOLO PARA OS CRENTES
A mensagem do arrebatamento não deve ter como objetivo central assustar os crentes, amedrontando-os. Antes, deve alimentar nossa esperança, na certeza de que quando a trombeta soar, estaremos voltando para casa. Jesus consolou os discípulos, justamente no momento em mais precisavam, quando o Senhor se despedia deles. Para que não se entristecessem, prometeu voltar para leva-los para junto deles, e a presença gratificante do Consolador (Jo. 14). O coração do crente não deve ficar perturbado diante das vicissitudes da vida, antes devemos descansar nos cuidados do Senhor. A presença dEle, e do Seu Espírito, nos traz consolo na situações adversas. Ao que tudo indica esse também era o problema dos crentes de Tessalônica, por causa da ignorância escatológica, ficaram angustiados, sobretudo diante da morte. Mas nós sabemos que a morte não é o fim, nem mesmo para aqueles que já partiram, pois temos a convicção, pela Palavra do Senhor, que os mortos em Cristo ressuscitarão, e os que estiverem vivos serão transformados (I Ts. 4.15,17). Diante dos momentos difíceis, não devemos ficar com o coração conturbado, pois estamos firmados em uma bendita esperança, que é o fundamento da nossa alegria (I Ts. 2.19). Paulo em enfático em sua admoestação aos crentes: “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (I Ts. 4.18).

CONCLUSÃO
O arrebatamento, o translado dos crentes que pode acontecer a qualquer momento, é a bendita esperança da igreja. Diante de um mundo marcado pelo desespero, devemos consolar uns aos outros com as Palavra de Cristo, que ressoam no evangelho, e com a revelação dada a Paulo, a respeito desse evento escatológico. A igreja de Cristo não teme o arrebatamento, antes purifica a si mesma (I Jo. 3.3), assim como Ele é puro, e aprendeu a amar a vinda do Senhor para arrebatá-la (II Tm. 4.8), que lhe traz consolo (I Ts. 4.18).

ESTEJA ALERTA E VIGILANTE, JESUS VOLTARÁ


              
                               Textos: I Ts. 5.23 – Mt. 24.42-46


INTRODUÇÃO
Jesus virá em breve, essa era a frase no painel de muitas igrejas evangélicas antigas. Nos dias atuais, algumas mantem “Jesus virá”, outras substituíram por “Jesus”. Talvez esse seja um indício da ausência de atenção que as igrejas estão dando a esse tema. Na aula de hoje enfatizaremos que o arrebatamento de Jesus acontecerá a qualquer momento, sendo, portanto, um acontecimento iminente. Por esse motivo devemos permanecer alertas, e vigilantes, cientes que Ele voltará para arrebatar Sua em igreja, em breve.

1. ELE VIRÁ
O Novo Testamento ensina que Jesus voltará (Jo. 14.3), e que aparecerá segunda vez (Hb. 9. 28). Isso quer dizer que o Senhor virá para arrebatar Sua igreja, Ele mesmo prometeu aos discípulos, antes de Sua partida (Jo. 14.1-3).  Em meio às tribulações da vida, temos o conforto espiritual, que Ele foi preparar um lugar, para que estejamos com Ele. Por esse motivo, Tiago orienta os primeiros cristãos a serem pacientes, enquanto aguardam a vinda do Senhor (Tg. 5.7-9). Paulo é o apóstolo que mais trata a respeito desse assunto, destacando que essa é nossa esperança (I Ts. 1.9,10), e que quando Ele voltar, nos livrará da ira vindoura (I Ts. 1.9). O arrebatamento é a bendita esperança daqueles que professam a fé no Senhor (Tt. 2.13). Mas enquanto aguardamos a vinda do Senhor, devemos nos manter alerta e vigilante (I Ts. 3.13). É possível, no entanto, que alguém seja pego de surpresa, se não estiver preparado (I Ts. 5.1-11). Por isso, devemos buscar uma santificação integral, e que ser irrepreensível, enquanto esperamos o arrebatamento (I Ts. 5.23). A vigilância é necessária a fim de que não sejamos envergonhados, caso venhamos a nos afastar dEle, quando vier para buscar Sua igreja (I Jo. 2.28). Por ocasião do arrebatamento, seremos semelhantes a Ele. E quem tem essa esperança, deve purificar a si mesmo, assim como Ele mesmo é puro (I Jo. 3.2,3). Esse também será um momento de júbilo para os obreiros, pois se alegrarão ao ver aqueles que conduziram a Cristo (I Ts. 2.17-19).

2. A QUALQUER MOMENTO
Em relação ao momento não sabemos quando ocorrerá, sendo inviável marcar qualquer data. Jesus disse aos Seus discípulos que não competia a eles conhecer tempos ou épocas que Deus reservou para Sua exclusiva autoridade (At. 1.7). A humanidade será pega de surpresa quando acontecer, pois virá como ladrão de noite (I Ts. 5.2,3). Como diz Paulo aos Coríntios, “num momento, num abrir e fechar de olhos... a trombeta soará e os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nos (crentes vivos) serão transformados” (I Co. 15.52). Esse é o significado da palavra iminente, isto é, a volta do Senhor, para arrebatar a igreja, está próxima (Ap. 1.3; 22.10). Por esse motivo, cada geração de crente deve permanecer alerta, e vigilante, para não está despercebida, quando Cristo voltar (Lc. 12.40). Os crentes são exortados a aguardarem ansiosamente pela volta do Senhor (Fp. 3.20; Hb. 9.28; Tt. 2.12; I Ts. 5.6). A doutrina da imanência é importante na interpretação escatológica porque ressalta que o arrebatamento acontecerá a qualquer momento. Essa premissa bíblica exige que os crentes estejam sempre preparados. É o que constatamos ao analisar os textos bíblicos que aludem ao arrebatamento, afirmando que “perto está o Senhor” (Fp. 4.5), que Ele “está às portas” (Tg. 5.9), de modo que se faz necessário que “vigiemos e sejamos sóbrios” (I Ts. 5.6).

3. ANTES DA TRIBULAÇÃO
A doutrina do arrebatamento iminente, ou seja, que pode acontecer a qualquer momento, respalda o pré-tribulacionismo. Os posicionamentos meso-tribulacionista e pós-tribulacionista precisam redefinir o conceito de iminência, para justificar seus argumentos. Isso porque caso os crentes passem pela tribulação, a expectativa de que o Senhor venha a qualquer momento perderá a razão de ser (Tt. 2.13). É por isso que os crentes devem permanecer atentos, aguardando a volta do Senhor Jesus. Os santos da tribulação, por sua vez, são exortados a atentaram para os sinais. Se os crentes tiverem que passar pela tribulação, não faz sentido a exortação bíblica para que nos consolemos pela volta do Senhor (Jo. 14.1; I Ts. 4.18). O termo maranatha, cujo significado é “vem, Senhor Jesus”, somente tem fundamento se a volta de Jesus for iminente. Uma análise acurada de várias passagens sobre a tribulação, tanto no Antigo (Dr. 4.29-30; Jr. 30.4-11; Dn. 8.24-27; 12.1,2), quanto no Novo Testamento (Mt. 13.30-50; 24.15-31; I Ts. 1.9,10; 5.4-9; II Ts. 2.1-11; Ap. 4-18) mostra que essa não se refere à igreja. A mensagem do Senhor é clara para Sua igreja: “porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap. 3.10). Na verdade, o livro do Apocalipse, dos capítulos 4 a 19, silencia em relação à igreja, pois se trata do perído da “angústia para Jacó” (Jr. 30.7).

CONCLUSÃO
Jesus voltará para arrebatar Sua igreja, esse evento acontecerá a qualquer momento. Por esse motivo, devemos permanecer sóbrios e vigilantes, aguardando Sua vinda (Lc. 21.36). Isso acontecerá antes da Tribulação, pois chegará o tempo em que o Senhor levará Seus embaixadores da terra (II Co. 5.20). A partida da igreja antes da tribulação é tipificada no translado de João a subir ao céu (Ap. 4.1), sendo preservada do período da Tribulação (Ap. 4-19).